5 de Janeiro de 2009 - 11:05
Fuvest: Redação tem tema perigoso, diz professora
Alexandre Gonçalves e Felipe Grandin
Ontem, no primeiro dia da segunda fase do vestibular da Fuvest - o mais concorrido do País -, 2.243 dos 38.606 candidatos faltaram à prova de português e redação. A abstenção, de 5,81%, foi um pouco maior que a do ano passado, quando 5,42% dos candidatos não apareceram para as provas.
A professora de português do curso e colégio Objetivo, Elisabeth de Melo Massaranduba, considera o tema da redação - “Fronteiras” - perigoso para os alunos. Na proposta do tema, a Fuvest forneceu pouco material de apoio aos candidatos. Havia apenas a imagem de uma calçada em cujo piso estava demarcada a fronteira entre Holanda e Bélgica, retirada da enciclopédia virtual Wikipedia, e a definição da palavra “fronteira” no Dicionário Houaiss. Após sublinhar que o termo admite vários sentidos - geográfico, físico, psicológico etc. -, a Fuvest solicitava a escolha de uma ou duas abordagens e a redação de um texto dissertativo.“O aluno corria o risco de redigir uma notícia de jornal”, argumenta Elisabeth. “Ou seja, um texto com muita informação, mas sem reflexão.”
Para Célia Passoni, coordenadora de língua portuguesa do cursinho e colégio Etapa, o candidato deveria fechar o leque de opções no início da prova. “Escolher uma abordagem e desenvolvê-la.”
Para Nelson Dutra, também do Objetivo, a prova de português não estava fácil, mas também não exigia “notas de rodapé”. “O candidato com boa compreensão do enunciado, capacidade crítica e competência linguística tinha tudo para fazer uma boa prova”, considera Dutra. Roberto Juliano, do cursinho da Poli, concorda: “Não havia armadilhas. A Fuvest manteve o nível de dificuldade dos anos anteriores.”
Amanhã começam as provas de habilidades específicas do curso de artes cênicas. Na quarta-feira ocorre o exame específico do curso superior de audiovisual. Quinta-feira será o primeiro dia da prova de habilidades dos cursos de arquitetura do campus de São Paulo e design e na sexta-feira, do curso de arquitetura do campus de São Carlos.
Fonte: Jornal da Tarde